A “pata de ganso” é uma região na parte interna do joelho onde três tendões se inserem na tíbia. Quando há irritação nesses tendões e/ou inflamação da bursa local (bursite anserina), surgem dor e sensibilidade alguns centímetros abaixo da articulação, frequentemente piorando em escadas, corrida e agachamentos. Este guia explica sinais, causas, como diferenciar de outras lesões e o passo a passo de tratamento com segurança.
Se você sente dor na parte interna do joelho, especialmente alguns centímetros abaixo da linha da articulação, e percebe piora ao subir escadas, correr, levantar de uma cadeira ou após treinos com volume alto, existe uma chance real de que o problema esteja relacionado à chamada pata de ganso — um conjunto anatômico formado por três tendões (sartório, grácil e semitendíneo) que se inserem na tíbia, na região anteromedial do joelho. A dor pode vir de uma tendinopatia (irritação/lesão por sobrecarga nos tendões), de uma bursite (inflamação da bursa que reduz atrito) ou de uma combinação dos dois quadros, o que é comum na prática. :contentReference[oaicite:0]{index=0}
O termo popular “tendinite da pata de ganso” é muito usado, mas nem sempre o problema é somente inflamação do tendão. A literatura e as referências clínicas descrevem bastante a bursite anserina (pes anserine bursitis), que é a inflamação da bursa localizada entre a tíbia e os tendões dos isquiotibiais na face interna do joelho — com dor e sensibilidade tipicamente 2 a 3 polegadas (cerca de 5 a 7 cm) abaixo da articulação. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
O objetivo deste artigo é ser direto e útil: você vai entender o que é, como reconhecer, como diferenciar de outras causas de dor medial no joelho (como lesão de menisco, artrose ou problemas do ligamento colateral medial), qual é o tratamento que costuma funcionar e quais exercícios costumam ajudar — com alertas para saber quando é melhor buscar avaliação profissional sem esperar.
Atenção: este conteúdo é informativo e não substitui consulta com ortopedista ou fisioterapeuta. Se você tiver dor intensa, febre, vermelhidão importante, incapacidade de apoiar o pé no chão ou trauma relevante, procure atendimento.
Sumário
- O que é a pata de ganso (pes anserinus) e por que dói
- Sintomas: como a dor costuma se apresentar
- Causas e fatores de risco (o que mais dispara o problema)
- Diagnóstico: como diferenciar de menisco, artrose e ligamentos
- Tratamento: passo a passo do que funciona (sem piorar)
- Exercícios: rotina segura para aliviar e prevenir recaídas
- Sinais de alerta: quando procurar médico com urgência
- Perguntas frequentes
- Conclusão
O que é a pata de ganso (pes anserinus) e por que dói
A “pata de ganso” (pes anserinus) é o nome dado ao ponto onde três tendões se unem e se fixam na tíbia, na face interna do joelho. Essa área existe para transmitir força dos músculos da coxa e ajudar a estabilizar o joelho, especialmente durante flexão e movimentos repetitivos (correr, subir escadas, agachar, levantar). Como há atrito e carga, o corpo tem uma estrutura de “amortecimento” ali: a bursa anserina, um pequeno saco com líquido que reduz fricção entre tendões e osso. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
Tendinopatia x bursite: por que os nomes se misturam
Na prática, a dor medial inferior do joelho pode ser:
- Tendinopatia/tendinite: irritação do tendão por sobrecarga (microlesões, tensão repetida, falta de recuperação).
- Bursite: inflamação/irritação da bursa, geralmente por atrito, pressão ou repetição de movimentos.
- Tendino-bursite: combinação dos dois, muito comum quando a pessoa insiste na atividade, ou quando há fatores como encurtamento dos isquiotibiais e biomecânica alterada.
Por isso, mesmo quando você pesquisa “tendinite da pata de ganso”, muitas referências clínicas descrevem o quadro como bursite anserina — com sintomas muito parecidos e tratamento com grande sobreposição (repouso relativo, gelo, reabilitação e correção de fatores de risco). :contentReference[oaicite:3]{index=3}
Sintomas: como a dor da pata de ganso costuma se apresentar
Os sintomas clássicos descritos em referências ortopédicas e clínicas incluem:
- Dor e sensibilidade na parte interna do joelho, geralmente alguns centímetros abaixo da linha articular (mais “para baixo” do que a dor de menisco costuma ser).
- Piora ao subir/descer escadas, correr, agachar, levantar de cadeira e caminhar por tempo prolongado.
- Melhora com repouso (especialmente quando a causa é sobrecarga/overuse).
- Em alguns casos, inchaço leve ou sensação de “ponto dolorido” ao toque.
Esses padrões aparecem de forma consistente em materiais de referência como AAOS e Cleveland Clinic, que destacam a dor interna do joelho alguns centímetros abaixo da articulação e a piora com atividade/escadas. :contentReference[oaicite:4]{index=4}
Como o paciente descreve (na vida real)
É comum ouvir relatos como:
- “Dói do lado de dentro, um pouco abaixo do joelho, especialmente quando subo escadas.”
- “Corro e depois fica latejando; no dia seguinte, descer escada é pior.”
- “Se eu aperto um ponto específico, sinto dor aguda.”
Importante: dor no joelho pode ter várias causas. O “ponto” da pata de ganso costuma ser relativamente localizado, mas o corpo compensa e pode gerar desconfortos secundários em panturrilha, quadril e lombar.
Causas e fatores de risco (o que mais dispara o problema)
Na maioria dos casos, a pata de ganso dói por sobrecarga repetitiva e por uma combinação de fatores mecânicos, treino e características individuais. A literatura clínica também observa associação com outros problemas do joelho, como osteoartrite (artrose), além de fatores como sobrepeso e encurtamento muscular. :contentReference[oaicite:5]{index=5}
Fatores de risco mais comuns
- Aumento rápido de carga: começou a correr do nada, aumentou muito o volume, mudou o tipo de treino, incluiu subidas/tiros sem progressão.
- Encurtamento de isquiotibiais (parte de trás da coxa): aumenta tração e atrito na região.
- Alterações biomecânicas: valgo dinâmico (joelho “cai” para dentro), fraqueza de glúteo médio, controle ruim do quadril.
- Excesso de peso: maior carga compressiva e esforço durante locomoção.
- Artrose ou desgaste articular, que pode aumentar irritação de estruturas periarticulares e dor medial. :contentReference[oaicite:6]{index=6}
Tabela: gatilhos, sinais e ajustes úteis
| Gatilho comum | Como a dor aparece | Erro frequente | Ajuste inicial (seguro) |
|---|---|---|---|
| Aumento rápido de corrida/treino | Dor gradual após treinos; piora em escadas | “Aguentar na raça” e manter o volume | Reduzir carga 30–50% por 7–14 dias e reintroduzir progressivamente |
| Subidas/agachamentos repetidos | Dor interna inferior do joelho ao esforço | Alongar agressivamente com dor aguda | Trocar por exercícios isométricos e alongamentos leves, sem dor forte |
| Fraqueza de quadril/glúteo | Joelho “entra” para dentro ao descer escada | Fortalecer só quadríceps e ignorar quadril | Fortalecer glúteo médio e controle do valgo dinâmico |
| Sobrepeso | Dor em atividades do dia (andar/escada) | Parar tudo por meses (descondiciona) | Atividade de baixo impacto + reabilitação e controle progressivo |
Diagnóstico: como diferenciar de menisco, artrose e ligamentos
O diagnóstico é principalmente clínico: história (quando começou, o que piora, como evolui) e exame físico (ponto dolorido, testes funcionais, mobilidade e avaliação de alinhamento). Em referências ortopédicas, o local típico de dor na bursite/tendinopatia anserina é na parte interna do joelho, alguns centímetros abaixo da articulação. :contentReference[oaicite:7]{index=7}
1) Pata de ganso x lesão de menisco medial
- Pata de ganso: dor mais “abaixo” da linha articular; piora com repetição e carga; ponto dolorido na tíbia medial.
- Menisco: dor mais colada à linha articular; pode ter estalos, travamento, sensação de “prender” em movimentos de torção.
2) Pata de ganso x ligamento colateral medial (LCM)
- Pata de ganso: geralmente sem trauma específico; evolução gradual por sobrecarga.
- LCM: comum após entorse (joelho “vai para dentro”); dor e instabilidade em testes específicos.
3) Pata de ganso x artrose do joelho
Artrose pode coexistir e “alimentar” dor medial. A literatura descreve associação frequente entre bursite anserina e osteoartrite do joelho. :contentReference[oaicite:8]{index=8}
Quando pedir exame de imagem?
Nem todo caso precisa de imagem. Em geral, exames podem ser considerados quando:
- há suspeita de outra lesão (menisco, ligamento, fratura por estresse);
- a dor é persistente apesar de tratamento conservador bem feito;
- há sinais de alerta (febre, vermelhidão intensa, inchaço importante, dor noturna severa).
MAIS LIDOS
- Dor no joelho: 12 causas comuns e como identificar o padrão de cada uma
- Condromalácia patelar: sintomas, tratamento e exercícios que ajudam
- Menisco: quando a dor é sinal de lesão e quando é sobrecarga
- Joelho dói na escada: o que pode ser e quando procurar ortopedista
Leituras de referência (para aprofundar com fontes confiáveis)
Entenda a bursite/tendão da pata de ganso, sintomas e localização típica da dor
Sinais mais comuns (dor interna abaixo do joelho) e manejo inicial com repouso e atividade
Visão geral de tendinite e sintomas descritos para “pata de ganso” em serviço médico brasileiro
Tratamento: passo a passo do que costuma funcionar (sem piorar)
A boa notícia é que, na maioria dos casos, o quadro é autolimitado e responde a tratamento conservador — com reabilitação e ajuste de carga. Uma referência clínica bastante usada descreve a bursite anserina como geralmente responsiva a medidas conservadoras como exercícios e programas de alongamento. :contentReference[oaicite:9]{index=9}
Passo 1: reduzir carga, sem “zerar a vida”
O erro clássico é ir para extremos: ou “forçar até estourar”, ou parar tudo e descondicionar. O que costuma funcionar melhor é repouso relativo por 7 a 14 dias (dependendo da dor), com:
- redução de corrida, subidas, agachamentos profundos e exercícios que disparem dor;
- manutenção de atividade sem impacto (quando tolerado) como bicicleta leve, caminhada plana curta ou elíptico, sem piorar a dor.
Passo 2: gelo e controle de sintomas (com critério)
Para dor e irritação, gelo pode ajudar no alívio sintomático, principalmente após esforço ou ao fim do dia. Medidas típicas de tratamento de bursites incluem repouso e, quando indicado, medicamentos e fisioterapia/exercícios — sempre a critério clínico. :contentReference[oaicite:10]{index=10}
Se o médico indicar anti-inflamatórios ou analgésicos, use pelo tempo e dose prescritos. Evite “mascarar” dor para continuar a sobrecarga.
Passo 3: fisioterapia (o divisor de águas)
Quando a pata de ganso vira um problema recorrente, quase sempre há algo a corrigir: encurtamento, fraqueza, controle motor ruim, sobrecarga mal distribuída. É aqui que a fisioterapia brilha. As referências clínicas citam melhora com exercícios e alongamentos e reabilitação conservadora. :contentReference[oaicite:11]{index=11}
O foco geralmente inclui:
- Alongamento gradual de isquiotibiais (sem forçar dor aguda).
- Fortalecimento de quadríceps com progressão segura.
- Fortalecimento de glúteos (principalmente glúteo médio) e controle do joelho em apoio unipodal.
- Treino de padrão de movimento (agachar, subir escada, correr) sem “colapsar” joelho para dentro.
Passo 4: quando pensar em procedimentos (ex.: infiltração)
Casos persistentes podem ser discutidos com ortopedista. Algumas abordagens incluem infiltração em situações selecionadas (avaliando risco/benefício). O ponto aqui é: isso não substitui reabilitação; pode ajudar a controlar dor e permitir o retorno progressivo, mas a causa mecânica precisa ser corrigida para não voltar.
Passo 5: prevenção de recaída (o que mais falha)
Mesmo quando melhora, muita gente recai por:
- voltar ao treino com o mesmo volume de antes;
- retomar subidas, tiros e agachamentos profundos sem progressão;
- ignorar fortalecimento de quadril e controle do valgo;
- não ajustar sono/recuperação.
Exercícios: rotina segura para aliviar e prevenir recaídas
A seguir está uma rotina geral e conservadora inspirada em programas de exercícios usados em materiais educativos de ortopedia. Ajuste conforme sua dor e, se possível, faça com orientação de fisioterapeuta. :contentReference[oaicite:12]{index=12}
Regra de ouro
- Dor leve (0–3/10) durante o exercício pode ser aceitável se não piorar no dia seguinte.
- Se doer forte (4/10 ou mais), reduza amplitude ou troque o exercício.
- Se a dor piorar nas 24h seguintes, você excedeu a carga.
Rotina (15 a 25 minutos, 4–6x por semana)
1) Aquecimento leve (3–5 min)
- Caminhada leve ou bicicleta sem resistência.
2) Isometria de quadríceps (2–3 séries)
- Sentar com joelho estendido e contrair quadríceps por 10–20 segundos.
- Descanso de 20–30 segundos entre repetições.
3) Ponte (glúteos) (2–3 séries de 8–12)
- Deitar, joelhos flexionados, elevar quadril mantendo alinhamento.
- Progredir para ponte unilateral quando estiver fácil e sem dor.
4) Abdução de quadril (glúteo médio) (2–3 séries de 10–15)
- De lado, elevar perna de cima com controle, sem rodar quadril.
- Alternativa: caminhada lateral com faixa elástica (se tiver).
5) Alongamento leve de isquiotibiais (2–3x, 20–30s)
- Alongar até sentir tensão moderada, sem dor aguda.
- Evitar “puxar” com intensidade quando o local está muito irritado.
6) Controle de descida (mini agachamento na parede ou sentar-levantar parcial) (2 séries)
- Amplitude pequena, joelho alinhado com o pé (sem “cair” para dentro).
- Sem dor forte. Progredir lentamente.
Volta à corrida/treino (quando a dor estiver controlada)
Uma estratégia prática:
- 1 semana de caminhada rápida sem dor no dia seguinte;
- intercalar corrida leve e caminhada (ex.: 1 min correndo + 2 min andando, por 15–20 min);
- aumentar corrida em 10–20% por semana, mantendo 1–2 dias de descanso ativo.
Sinais de alerta: quando procurar médico com urgência
Nem toda dor medial é pata de ganso. Procure avaliação rapidamente se houver:
- Febre, mal-estar, vermelhidão intensa e calor local (pode sugerir infecção em bursites em geral).
- Inchaço importante e progressivo no joelho.
- Impossibilidade de apoiar o peso no membro.
- Trauma relevante (queda, entorse forte, estalo seguido de instabilidade).
- Dor noturna intensa e persistente, sem relação clara com esforço.
Materiais de saúde sobre bursite em geral reforçam que, se houver suspeita de infecção ou sintomas persistentes/agravamento, é importante procurar atendimento. :contentReference[oaicite:13]{index=13}
Perguntas frequentes
Tendinite da pata de ganso e bursite anserina são a mesma coisa?
Não exatamente. A dor pode vir do tendão (tendinopatia) e/ou da bursa (bursite). Como as estruturas ficam muito próximas e compartilham gatilhos semelhantes (sobrecarga, atrito, encurtamento), os quadros se confundem e podem coexistir. :contentReference[oaicite:14]{index=14}
Onde exatamente dói?
Em geral, na parte interna do joelho, alguns centímetros abaixo da articulação (tíbia medial). Esse padrão é descrito em referências clínicas e ortopédicas. :contentReference[oaicite:15]{index=15}
Posso continuar treinando?
Depende do nível de dor e do que dispara os sintomas. Normalmente, recomenda-se reduzir carga e manter atividades de baixo impacto sem piora, enquanto fortalece e corrige fatores de risco. Se a dor estiver piorando semana a semana, insistir costuma prolongar o problema.
Gelo ou calor?
Para irritação aguda após esforço, gelo costuma ajudar no alívio. Calor pode ser usado antes de mobilidade/alongamento leve para soltar a musculatura, desde que não aumente a dor local. O foco não é “temperatura perfeita”, e sim controle de carga + reabilitação.
Quanto tempo leva para melhorar?
Varia. Muitos casos melhoram em semanas com ajuste de carga e reabilitação. Se houver associação com artrose, excesso de peso ou erro persistente de treino, pode demorar mais e exigir acompanhamento. :contentReference[oaicite:16]{index=16}
Conclusão
A tendinite da pata de ganso (ou tendino-bursite anserina) é uma causa comum de dor na parte interna do joelho, geralmente ligada a sobrecarga e fatores biomecânicos. O diagnóstico costuma ser clínico, com atenção ao local típico de dor abaixo da articulação e ao padrão de piora com escadas/atividade. A grande chave do tratamento é a combinação de redução temporária de carga com reabilitação — alongamento gradual, fortalecimento de quadril e coxa e retorno progressivo ao treino.
Se você fizer o básico bem feito por 2 a 4 semanas e não houver melhora, ou se aparecerem sinais de alerta, a avaliação profissional é o caminho mais seguro para descartar outras causas e ajustar o plano.
Fontes e leituras complementares
O que é bursite e quais são as bases do tratamento (repouso, medicamentos e fisioterapia)
Resumo clínico (StatPearls/NCBI) sobre quadro, associação com artrose e resposta a tratamento conservador
Exercícios domiciliares para pes anserine bursitis (material educativo em PDF)
Título alternativo (SEO / Discover)
Dor na parte interna do joelho: como identificar a pata de ganso e tratar sem piorar
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✍️ Redação CotidiaNews

